O Blog Mídias Interativas foi criado com o intuito de ser mais um meio para a troca de informações e conhecimento entre tutores e cursistas do curso de especialização em Inovação em Mídias Interativas oferecido pela Universidade Federal de Goiás – UFG.
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terça-feira, 24 de junho de 2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Articulando obstáculos e inventários – A relação entre corpo e consciência
O título desse post aqui pretende mostrar o ponto que mais me chamou a atenção na apreciação de alguns itens do inventário. Cada obra, à sua maneira, aborda a relação entre corpo e consciência, mesmo que este não seja o tema principal. Trabalhar com esse ponto nos permite ainda discutir e fazer uma espécie de síntese com os conceitos dados como obstáculos. No entanto, a colaboração dos colegas será fundamental para comentarmos outras abordagens e “alargarmos” nosso entendimento e definições. Esse post é apenas um ponto de partida.
Em Neuromancer, de William Gibson, somos apresentados a Case, um cowboy do ciberespaço. O autor define esse local como uma espécie de alucinação consensual. Isso é interessante, pois faz a ligação direta do conceito com a nossa mente. A profissão de Case é viajar pela matriz (assim estava na tradução que tive acesso, que não é muito boa), invadir sistemas e roubar dados. A consciência é que viaja pela rede, como se fosse independente da matéria. O próprio herói de Gibson afirma que “o corpo é uma prisão”. A adrenalina desses mergulhos no ciberespaço é o grande vício do nosso cowboy. À carne, resta o desprezo. Como lembra o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, a informação é a terceira dimensão da matéria, junto com a massa e energia. O futuro do corpo, então, é ser um mero repositório, como um HD, de dados e informações da consciência?
A matriz de Neuromancer, imaginada ainda nos anos 80, é o que podemos chamar de rede. O autor a define como uma “brilhante esteira de lógica desdobrando-se pelo vazio sem cor”. Nesse lugar, a mente viaja sem limites. Ora, se entendemos o rizoma como método de produção de conhecimento onde se pode fugir, esconder, sabotar, confundir, cortar caminho, concluímos que já não mais estamos falando de estruturas fechadas e totalizantes. As redes que montamos na internet, ou o nosso ciberespaço, se parecem muito com o modo como é abordado o rizoma.
Recorro agora ao romance a “Invenção de Morel”, para voltarmos ao problema do título. O que chama a atenção era a presença da questão, já em 1940. Para o narrador-personagem da obra, “perdemos a imortalidade porque a resistência à morte não evoluiu; seus aperfeiçoamentos insistem na ideia primitiva, rudimentar, de manter vivo todo o corpo. Só se deveria procurar conservar o que interessa para a consciência”. Essa ideia vai balizar toda a trajetória da personagem e sua decisão surpreendente de “matar” a carne para viver como imagem e ideia, para ficar na eternidade com uma amada improvável (aqui escolhi não dar mais spoilers para não estragar a surpresa do romance).
Obviamente, a capacidade real de dissociar corpo e consciência por meio do ciberespaço ainda é ficção para nós. Mas é impressionante a capacidade de antecipação dos artistas quanto às questões da ciência e do conhecimento. A meu ver, a liberdade formal de criação é o ponto essencial aqui, pois confere a arte a autonomia de tematizar a cultura. A expressão do subjetivo tem um compromisso diferente com o conhecimento científico, nosso ponto de discussão, pois a arte não tem função, um ponto de chegada e de partida. Ela se refere s domínio técnico e conteúdo, e por isso pode levar os temas da nossa vida e cultura à tensão dos limites.
Encerro essa minijornada de indagações com o filme “Ela”, de Spike Jonze, onde somos apresentados a um romance nada convencional. Theodore, o personagem principal, se apaixona por um sistema operacional de última geração dotado de sentimento e senso de humor humanos (ou seriam sobre-humanos?). O que mais puxou minha reflexão sobre o filme foi pensar: com quem Theodore está realmente falando? O que implica se relacionar com um outro sem corpo, que é só “consciência”? No final, o que definirá nossa humanidade?
Em Neuromancer, de William Gibson, somos apresentados a Case, um cowboy do ciberespaço. O autor define esse local como uma espécie de alucinação consensual. Isso é interessante, pois faz a ligação direta do conceito com a nossa mente. A profissão de Case é viajar pela matriz (assim estava na tradução que tive acesso, que não é muito boa), invadir sistemas e roubar dados. A consciência é que viaja pela rede, como se fosse independente da matéria. O próprio herói de Gibson afirma que “o corpo é uma prisão”. A adrenalina desses mergulhos no ciberespaço é o grande vício do nosso cowboy. À carne, resta o desprezo. Como lembra o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, a informação é a terceira dimensão da matéria, junto com a massa e energia. O futuro do corpo, então, é ser um mero repositório, como um HD, de dados e informações da consciência?
A matriz de Neuromancer, imaginada ainda nos anos 80, é o que podemos chamar de rede. O autor a define como uma “brilhante esteira de lógica desdobrando-se pelo vazio sem cor”. Nesse lugar, a mente viaja sem limites. Ora, se entendemos o rizoma como método de produção de conhecimento onde se pode fugir, esconder, sabotar, confundir, cortar caminho, concluímos que já não mais estamos falando de estruturas fechadas e totalizantes. As redes que montamos na internet, ou o nosso ciberespaço, se parecem muito com o modo como é abordado o rizoma.
Recorro agora ao romance a “Invenção de Morel”, para voltarmos ao problema do título. O que chama a atenção era a presença da questão, já em 1940. Para o narrador-personagem da obra, “perdemos a imortalidade porque a resistência à morte não evoluiu; seus aperfeiçoamentos insistem na ideia primitiva, rudimentar, de manter vivo todo o corpo. Só se deveria procurar conservar o que interessa para a consciência”. Essa ideia vai balizar toda a trajetória da personagem e sua decisão surpreendente de “matar” a carne para viver como imagem e ideia, para ficar na eternidade com uma amada improvável (aqui escolhi não dar mais spoilers para não estragar a surpresa do romance).
Obviamente, a capacidade real de dissociar corpo e consciência por meio do ciberespaço ainda é ficção para nós. Mas é impressionante a capacidade de antecipação dos artistas quanto às questões da ciência e do conhecimento. A meu ver, a liberdade formal de criação é o ponto essencial aqui, pois confere a arte a autonomia de tematizar a cultura. A expressão do subjetivo tem um compromisso diferente com o conhecimento científico, nosso ponto de discussão, pois a arte não tem função, um ponto de chegada e de partida. Ela se refere s domínio técnico e conteúdo, e por isso pode levar os temas da nossa vida e cultura à tensão dos limites.
Encerro essa minijornada de indagações com o filme “Ela”, de Spike Jonze, onde somos apresentados a um romance nada convencional. Theodore, o personagem principal, se apaixona por um sistema operacional de última geração dotado de sentimento e senso de humor humanos (ou seriam sobre-humanos?). O que mais puxou minha reflexão sobre o filme foi pensar: com quem Theodore está realmente falando? O que implica se relacionar com um outro sem corpo, que é só “consciência”? No final, o que definirá nossa humanidade?
Paro por aqui, já me alonguei demais. Vamos à discussão!!!
por Victor Hugo C. Caldas
Entendendo o gênero ficção
Para entender um pouco como é a relação da ficção com o conhecimento científico, acho necessário compreender antes o que é a ficção.
Como um gênero, literário e cinematográfico, a ficção é em si uma narrativa baseada no imaginário, podendo refletir ou se basear em fatos reais, mas havendo sempre uma mistura do real com o imaginário.
A ficção que lida com o impacto da ciência sobre a sociedade ou os indivíduos é denominada de ficção científica. Existem alguns elementos que são comuns deste gênero, os quais gostaria de apontar. A ficção científica procura trabalhar em cima de como a tecnologia e o conhecimento científico podem afetar ou influenciar a vida em sociedade e o comportamento do homem. Os autores procuram guiar as histórias através de elementos que se apoiariam em possibilidades reais, explorando esse conhecimento de forma que crie possibilidades e cenários ainda não alcançados pela ciência. Segundo a enciclopédia escolar Britannica “em geral, a ficção científica procura divertir. Contudo, muitas histórias desse tipo de história imaginam também como as pessoas poderiam agir e se relacionar entre si. Dessa maneira, a ficção científica pode ajudar a revelar coisas importantes sobre a natureza humana e a sociedade”.
Assaf (2014), diz que “como toda produção cultural humana, a ficção científica carrega em si uma boa dose de influência da realidade que cerca o autor, suas perspectivas de humanidade, suas ideias sobre o mundo e sobre a sociedade”. Marcos Lobato, citado por Asaff, acredita que “na ficção científica, o futuro é metáfora do presente. A obra de ficção científica, ao projetar futuros, problematiza o presente e lança luz sobre o passado."
Com tantos argumentos, não há como negar a existência dessa relação entre ficção e conhecimento científico na literatura e no cinema. Um dos autores de ficção reconhecidos como mestre do gênero é Isaac Asimov. Ele foi considerado, ainda em vida, um dos "Três Grandes" escritores de ficção científica, além dele estão os autores Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke. Uma de suas obras é I, Robot (1950), uma coletânea de contos que aborda a evolução dos robôs. Outros exemplos, são os filmes Matrix, Johnny Mnemonic, e o mais recente Her, que ganhou o Oscar de melhor roteiro em 2013.
Referências
ASSAF, Igor. Ficção científica e especulações sobre o mundo. Disponível em: http://lounge.obviousmag.org/sociocratico/2014/01/ficcao-cientifica-e-especulacoes-sobre-o-mundo.html. Acesso em: 18 de junho de 2014.
Ficção científica. In: Britannica Escola Online. Enciclopédia Escolar Britannica, 2014. Web, 2014. Disponível em: <http://escola.britannica.com.br/article/482467/ficcao-cientifica>. Acesso em: 18 de junho de 2014.
Ficção científica. In: Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficção_científica>. Acesso em: 18 de junho de 2014.
Ficção. In: Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficção>. Acesso em: 18 de junho de 2014.
por Thamara Lima
Assaf (2014), diz que “como toda produção cultural humana, a ficção científica carrega em si uma boa dose de influência da realidade que cerca o autor, suas perspectivas de humanidade, suas ideias sobre o mundo e sobre a sociedade”. Marcos Lobato, citado por Asaff, acredita que “na ficção científica, o futuro é metáfora do presente. A obra de ficção científica, ao projetar futuros, problematiza o presente e lança luz sobre o passado."
Com tantos argumentos, não há como negar a existência dessa relação entre ficção e conhecimento científico na literatura e no cinema. Um dos autores de ficção reconhecidos como mestre do gênero é Isaac Asimov. Ele foi considerado, ainda em vida, um dos "Três Grandes" escritores de ficção científica, além dele estão os autores Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke. Uma de suas obras é I, Robot (1950), uma coletânea de contos que aborda a evolução dos robôs. Outros exemplos, são os filmes Matrix, Johnny Mnemonic, e o mais recente Her, que ganhou o Oscar de melhor roteiro em 2013.
Referências
ASSAF, Igor. Ficção científica e especulações sobre o mundo. Disponível em: http://lounge.obviousmag.org/sociocratico/2014/01/ficcao-cientifica-e-especulacoes-sobre-o-mundo.html. Acesso em: 18 de junho de 2014.
Ficção científica. In: Britannica Escola Online. Enciclopédia Escolar Britannica, 2014. Web, 2014. Disponível em: <http://escola.britannica.com.br/article/482467/ficcao-cientifica>. Acesso em: 18 de junho de 2014.
Ficção científica. In: Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficção_científica>. Acesso em: 18 de junho de 2014.
Ficção. In: Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficção>. Acesso em: 18 de junho de 2014.
por Thamara Lima
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Relação entre ficção e conhecimento científico (Parte 2)
Seguem duas sugestões sobre o tema "Relação entre ficção e conhecimento científico". O primeiro link é um podcast que discute o filme Matrix, abordando a questão filosófica do filme, citando a relação com o livro O Neuromancer, de uma forma descontraída, fazendo com que, por mais que a discussão seja longa 87:00 minutos, não se torne entediante escutar. O segundo link é um recorte que fiz em um episódio do seriado Through the Wormhole, de aproximadamente 12 minutos. Neste recorte o seriado aborda trabalhos científicos que discutem a probabilidade de vivermos em mundo digital, muito interessante.
1º link: http://jovemnerd.com.br/nerdcast/nerdcast-156-matrix-repercutions/
2º link: https://mega.co.nz/#!HBkjFabC!bDfECJ9x5u_CG14YD506dFKIahs3I55xSP-s5g438tE
por Roberto Urzêda
Relação entre ficção e conhecimento científico
Vendo a atividade proposta me lembrei de uma matéria simples feita pela revista superinteressante em 2010, sobre invenções que aparaceram antes na ficção. Pesquisei e encontrei outras matérias que tem essa relação como tema. Apesar de simples, elas são bem interessantes para pensarmos a relação do conhecimento científico e a ficção, já que algumas dessas tecnologias estão presentes no nosso dia-a-dia e nem sabemos. Aqui abaixo segue duas das que encontrei, caso algum colega se lembre de outras tecnologias que apareceram primeiro na ficção ou de qualquer coisa relacionada, por favor compartilhe conosco.
Já que estou enviando esses links envio também um texto do escritor de ficção científica Ian Douglas, que fala sobre desafios desse tipo de escrita (inclusive contando de experiências dele no desenvolvimento de suas obras) e coloca uma luz sobre o porque de tantas tecnologias virem primeiro na ficção. Uma leitura muito interessante:
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